Português
Ditado por vozem português.
Quase todas as aplicações de ditado anunciam cem línguas. Poucas distinguem Lisboa de São Paulo, e nenhuma o admite na página de preços. Este guia explica o que muda mesmo quando se dita em português, e o que fazer quanto a isso.
A resposta curta
Ditado por voz é falar e ver o texto aparecer onde está o cursor, na aplicação onde já se está a escrever. No Mac há três formas práticas: o ditado que a Apple já inclui no sistema, o teclado do telemóvel, e aplicações dedicadas que se ativam com uma tecla. A parte que decide tudo é se a ferramenta deixa escolher português de Portugal ou do Brasil. Se não deixar, escolheu por si, e escolheu Brasil.
O que é
Falar em vez de escrever.
O ditado por voz transforma a fala em texto enquanto se fala, dentro da aplicação onde já se está a escrever. Não é transcrição de ficheiros, que se faz depois, sobre uma gravação. Também não é um assistente: não se está a pedir nada a ninguém, as palavras simplesmente aparecem onde está o cursor.
É útil para quem escreve muito e por todo o lado: email, mensagens, notas, documentos, respostas a clientes. A maior parte das pessoas fala várias vezes mais depressa do que escreve, por isso qualquer ferramenta parece rápida numa demonstração. O que decide se continua a ser usada dentro de um mês é outra coisa: quantas vezes é preciso voltar atrás para corrigir.
Vale a pena saber
Ditar não é falar como se escreve. Frases inteiras, ditas a ritmo normal, transcrevem melhor do que pedaços soltos. A pontuação é deduzida da forma da frase, em qualquer língua.
O que existe hoje
Quatro formas de ditar em português.
| Opção | O que faz bem | Onde para |
|---|---|---|
| Ditado da Apple, já incluído no macOS | Gratuito, já instalado, e tem português de Portugal e do Brasil como línguas separadas na lista. | Escreve o que foi dito. Hesitações, começos falhados e repetições ficam no documento tal e qual saíram da boca, e trocar de língua a meio de uma frase não é suportado. |
| Teclado do telemóvel | O ditado do iOS e do Android é genuinamente bom nas duas normas do português, e não custa nada. | Está no telemóvel. O trabalho a sério escreve-se no computador, espalhado por dez aplicações diferentes. |
| Ferramentas de transcrição de áudio | Feitas para gravações e reuniões: entra um ficheiro, sai um texto, com falantes identificados e marcas de tempo. | É preciso carregar o ficheiro e esperar. Nunca põem uma palavra dentro da aplicação onde se está a escrever, que é o objetivo do ditado. |
| Aplicações de ditado dedicadas | Carregar numa tecla em qualquer lado, falar, e o texto já limpo é colado na aplicação que está à frente. | Quase todas nascem em inglês. O português é uma linha numa lista de cem línguas, e normalmente uma linha só, não duas. |
Verificado em agosto de 2026.
A parte que ninguém testa
Dois portugueses, e a máquina tem de escolher um.
Vocabulário que é mesmo outro
Telemóvel aqui, celular no Brasil. Autocarro e ônibus. Casa de banho e banheiro. Um modelo inclinado para o Brasil ouve telemóvel e escreve outra coisa qualquer, e corrigir custa mais tempo do que a frase poupou.
Gramática que puxa para dois lados
O português do Brasil vive no gerúndio: estou fazendo. Em Portugal diz-se estou a fazer. A colocação dos pronomes muda. A segunda pessoa do dia a dia não é a mesma. Isto não são gralhas para limpar depois, é o que a frase devia ter sido.
Um sotaque que o modelo talvez nunca tenha ouvido
O português europeu come as vogais átonas, e a maior parte do áudio de treino em português é brasileiro. A taxa de erro é mais alta, e há anos que se diz aos portugueses para falarem mais devagar e mais claro. O problema está nos dados de treino, não em quem fala.
O inglês que entra pelo meio
O trabalho real soa a isto: preciso de fazer deploy do branch antes da daily. Uma ferramenta trancada numa língua transforma essas palavras inglesas em disparate português. Uma ferramenta sem qualquer definição de língua vira muitas vezes a frase inteira para inglês.
Nada disto é exótico. É o som de uma terça-feira normal para 260 milhões de pessoas. É também a parte que uma aplicação de ditado feita em inglês nunca testa.
O que construímos
Português como primeira língua, não como caixa a assinalar.
O Sonira pergunta que português se fala, o de Portugal ou o do Brasil, e leva essa resposta até ao fim, pela transcrição e pela limpeza do texto, para que o que aparece no ecrã seja a norma em que realmente se escreve. As palavras inglesas que entram numa frase portuguesa continuam inglesas. Carregar numa tecla, falar, largar, e o texto limpo é colado na aplicação que está à frente.
Nota honesta: a versão pública atual é o núcleo de ditado, já com português de Portugal e do Brasil à escolha. O trabalho mais recente sobre português, e a leitura em voz alta, saem na próxima versão pública.
Carregar numa tecla. Falar. As palavras aparecem onde está o cursor.
Passo a passo
Ditar em português, do princípio ao fim.
- 01
Escolher o português de forma explícita
De Portugal ou do Brasil, escolhido por quem fala. Uma ferramenta que nunca pergunta já decidiu, e normalmente decidiu Brasil, porque foi de lá que veio o áudio de treino.
- 02
Dar permissão ao microfone
O macOS pergunta uma vez, por aplicação, e nada funciona antes de se dizer que sim. Se o ditado não produz nada em silêncio, é a primeira coisa a verificar.
- 03
Escolher uma tecla que se possa manter carregada
Um ditado que obriga a clicar é um ditado que se deixa de usar sem dar por isso. Uma tecla, mantida carregada enquanto se fala, largada no fim: a interação é essa e mais nada.
- 04
Falar em frases inteiras
A pontuação sai da forma da frase. Uma frase completa, dita a ritmo normal, transcreve melhor do que uma sequência de pedaços soltos.
- 05
Julgar com um parágrafo a sério
Qualquer ferramenta fica bem numa frase limpa. Ditar uma coisa que tem mesmo de ser enviada, com nomes próprios, jargão e sotaque lá dentro, e contar as correções.
O que sobreviver ao passo cinco é a ferramenta que ainda vai estar a ser usada daqui a um mês.
Bom saber
Perguntas, respondidas.
- 01O que é o ditado por voz?
- É falar e ver o texto aparecer, já pontuado, onde está o cursor. Ao contrário da transcrição de áudio, acontece ao vivo e dentro da aplicação onde se está a trabalhar, seja o email, o Slack, um documento ou o editor de código.
- 02As aplicações de ditado funcionam em português?
- Quase todas o anunciam. Muito menos separam o português de Portugal do do Brasil, e é exatamente aí que está a diferença. O ditado da Apple tem os dois. Muitas aplicações têm uma só entrada de português, inclinada para o Brasil sem o dizer.
- 03O ditado que já vem no Mac chega para português?
- Para muita escrita, chega, e não custa nada. Tem as duas normas configuráveis em separado e funciona em qualquer sítio onde se possa escrever. Há um guia passo a passo neste site sobre como o ligar, e sobre onde é que ele para.
- 04Porque é que o português europeu é reconhecido com mais erros?
- Porque come as vogais átonas de forma muito mais marcada do que o português do Brasil, e porque a maior parte do áudio de treino disponível é brasileiro. É uma falha nos dados, não em quem fala.
- 05Posso misturar palavras em inglês numa frase em português?
- Deve ser possível, porque metade do vocabulário técnico é inglês dos dois lados do Atlântico. O Sonira foi feito para manter os termos ingleses em inglês dentro de uma frase portuguesa, em vez de os transformar em algo que ninguém escreve.
- 06Quanto custa o Sonira?
- É gratuito enquanto estiver em beta. Descarregar, ditar um parágrafo a sério no português de cada um, e dizer onde é que correu mal.
Escrever português sem escrever.
Grátis enquanto estamos em beta.
Nunca ditaste? Começa pelo guia do Mac.