Inglês por voz

O sotaque não éo problema.

Quem trabalha em inglês o dia inteiro sem ser a língua materna presume que ditado não é para ele. Os modelos de hoje lidam com inglês falado por brasileiros muito melhor do que a reputação sugere. O que falha de verdade é bem mais estreito, e quase tudo se resolve em cinco minutos.

A resposta curta

Sim, o ditado funciona com sotaque. Os modelos atuais foram treinados com áudio muito variado e transcrevem um brasileiro falando inglês sem preparo nenhum. O que ainda falha é previsível: nomes de pessoas e lugares, nomes de empresas e produtos, jargão técnico, e as frases em que uma palavra em português escapa no meio do inglês. Resolvidas essas quatro coisas, ditar fica mais rápido do que digitar.

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01O que falha

A lista real

Seis coisas que falham, e o que fazer com cada uma.

Nenhuma delas tem a ver com a sua pronúncia. São os pontos específicos onde o reconhecimento de voz perde, e todos têm uma saída que leva segundos.

O problemaO que voltaO que fazer
Nomes de pessoas e lugaresO Thiago volta como Diego. O nome da sua cidade vira a palavra em inglês que soa mais parecida.Deixar errado enquanto fala e corrigir os nomes de uma vez, no fim. Parar no meio da frase para repetir um nome custa mais do que a correção.
Nomes de empresas e produtosO nome do produto chega como palavra comum, ou quebrado em duas.Mesma correção, no fim. Se é um nome que você fala vinte vezes por dia, vale criar uma substituição de texto no sistema para o erro se corrigir sozinho.
Jargão técnico e siglasKubernetes sobrevive. A sigla interna do time não, e as letras ditas em sequência grudam em uma palavra só.Falar siglas com uma pausa curta entre as letras. E aceitar que vocabulário interno, que nunca foi publicado em lugar nenhum, não vai ser reconhecido por ferramenta alguma.
O português no meio do inglêsVocê solta uma palavra em português dentro de uma frase em inglês e ela volta como uma palavra em inglês parecida.Usar uma ferramenta que não obrigue a escolher um idioma por ditado. Se a sua tem seleção de idioma, ela vai brigar com você em toda frase misturada, que no dia real são muitas.
A hesitação transcrita literalmenteOs é, os so, os I mean, os sorry. Na tela fica pior do que você teria digitado, e é aí que a maioria desiste no segundo dia.Só uma etapa de limpeza resolve. Todo mundo hesita mais numa segunda língua, então a transcrição crua é injusta com quem fala inglês por trabalho de um jeito que não é com quem nasceu falando.
A ferramenta reescrevendo o seu inglêsO texto volta mais fluente, mais comprido e menos parecido com você. Às vezes o sentido mudou de lugar.Decidir se você quer transcrever ou quer alguém escrevendo por você. São produtos diferentes, e só um deles deixa você continuar aprendendo.

Repare no que não está na lista. As vogais, a sílaba tônica, o ritmo, tudo aquilo que dá vergonha numa call. É justamente a parte em que os modelos ficaram bons.

02Causas

Por que acontece

O modelo está adivinhando palavras, não ouvindo letras.

Ele aprendeu muitos sotaques, e alguns muito mais que outros

Os modelos de voz são treinados com quantidades enormes de áudio variado, e é por isso que inglês com sotaque funciona hoje. A distribuição continua desigual: um sotaque que aparece muitas vezes no áudio de treino é reconhecido com mais confiança do que um que aparece raramente. É por isso que a mesma ferramenta pode ser excelente para você e medíocre para o colega ao lado.

Reconhecer é prever

O reconhecimento de voz não decodifica som por som. Ele prevê a sequência de palavras mais provável dado o áudio e tudo o que já foi dito. Frases comuns sobrevivem ao ruído e à pronúncia estranha porque o contexto segura. Um nome próprio que o modelo viu poucas vezes não tem esse apoio, então perde para a palavra comum que soa mais parecida. É por isso que as frases acertam e os nomes não.

O idioma é decidido por ditado, não por frase

A maioria das ferramentas fixa um idioma para o ditado inteiro, seja por uma configuração, seja pelos primeiros segundos de áudio. Uma frase com dois idiomas fica fora desse modelo de mundo, e o idioma minoritário é empurrado para dentro do outro. Para quem trabalha em inglês e vive em português, essa é a falha diária. O sotaque não é.

A etapa de limpeza tem opinião

Tudo o que arruma uma transcrição crua é um modelo de linguagem, e modelo de linguagem puxa para prosa fluente, padrão e levemente formal. Aponte um para a frase de quem fala inglês como segunda língua e ele promove a frase em silêncio. O resultado lê melhor e já não é seu, o que pesa mais do que parece quando o texto é uma mensagem sua para um colega.

As duas primeiras pertencem a quem treina o modelo acústico, e nenhum aplicativo pequeno muda isso. As duas últimas são decisões de produto. São essas que vale escolher com cuidado, e são as únicas que dá para avaliar antes de comprar.

03Cinco minutos

A solução

Como fazer o ditado funcionar no seu inglês.

Isso funciona em qualquer ferramenta de ditado, inclusive na que já vem no Mac. Nada aqui pede para você soar mais nativo, porque não é essa a variável que decide o resultado.

  1. 01

    Falar em frases, não em palavras

    O modelo usa contexto para recuperar os sons pouco claros, então uma frase inteira é reconhecida melhor do que as mesmas palavras ditas uma a uma. Pronunciar com cuidado e separado é o instinto de quem fala uma segunda língua, e piora o resultado. Diga o pensamento inteiro, no seu ritmo normal.

  2. 02

    Falar a pontuação em voz alta

    Ponto, vírgula, ponto de interrogação, novo parágrafo. Dois minutos de prática e vira automático. Esse hábito sozinho faz mais pela qualidade do texto do que qualquer coisa ligada a sotaque, porque tira da ferramenta os limites de frase que ela teria de adivinhar pela entonação.

  3. 03

    Deixar os nomes errados até o fim

    Cada parada para corrigir um nome custa um recomeço e mata a frase que você estava montando. Dite a mensagem inteira e depois corrija os dois nomes próprios. Quem fala segunda língua para e corrige muito mais do que um nativo, e é esse hábito, não a precisão, que faz o ditado parecer lento.

  4. 04

    Testar com uma frase do seu trabalho de verdade

    Não uma frase de exemplo. Uma frase real, com os nomes dos produtos, as siglas do time e aquela palavra em português que sempre escapa no meio. É esse teste que prevê se você ainda vai estar ditando semana que vem. Uma frase genérica não prevê nada.

  5. 05

    Ler antes de enviar

    Quase todo mundo lê melhor do que escreve numa segunda língua, então uma leitura rápida pega o que passou batido na hora de compor. Se a ferramenta souber ler o texto em voz alta, ouvir pega outro conjunto de erros: principalmente a palavra errada que encaixa perfeitamente no contexto, que é exatamente o erro que o ditado produz.

Cinco hábitos, cinco minutos. Se depois disso a ferramenta ainda falhar no passo quatro, o problema é da ferramenta, não do sotaque.

04Sonira

O que construímos

Sem seleção de idioma, de propósito.

O Sonira nunca pergunta em que idioma você vai falar. Não existe lista para escolher antes de ditar nem nada fixado para a sessão, então uma frase em inglês com duas palavras em português dentro volta como uma frase em inglês com duas palavras em português dentro. Isso não é um modo que se liga. É o único comportamento que existe.

A etapa que pontua e arruma a transcrição está proibida por escrito de traduzir, de trocar as suas palavras e de converter o seu registro. Ela tira hesitação, começos falsos e o que você mesmo retirou no meio da frase, e para por aí. O que chega no seu documento é a sua frase, pontuada. Não é a versão que um estranho mais fluente teria escrito.

O que isso não faz é consertar o modelo acústico. Reconhecer inglês com sotaque é problema da indústria inteira e a gente compra igual a todo mundo. Também ainda não existe vocabulário próprio, então um nome que o modelo nunca viu continua saindo errado na primeira vez, e continua sendo corrigido na mão.

Nota honesta: a versão pública atual é o núcleo de ditado. A leitura em voz alta chega na próxima versão pública, que está esperando uma etapa de assinatura e não o código.

Segurar uma tecla. Falar. As palavras aparecem onde está o cursor.

05Suas palavras

Transcrever, não escrever por você

O seu inglês, não o de um estranho mais fluente.

Existe uma tentação real, quando se escreve numa segunda língua, de deixar a ferramenta melhorar a frase na saída. Funciona, e cobra um preço. Um texto que foi reescrito deixa de ser prova do que você sabe fazer, e depois de um ano você escreve igual ao primeiro dia.

Uma ferramenta que só transcreve faz o negócio contrário. As palavras são suas, os erros são seus e ficam para você achar, e a velocidade que você ganha é só a velocidade de não digitar. Se você quiser mesmo uma reescrita, isso deveria ser uma ação separada e deliberada, não algo que acontece em silêncio em toda mensagem ditada.

O truque da leitura de volta

Ler é a habilidade mais forte de quase todo mundo numa segunda língua, e ouvir vem logo atrás. Ter o rascunho lido em voz alta pega a palavra errada mas plausível por cima da qual o olho passa reto, que é justamente o erro que o ditado produz. Foi por isso que construímos a voz também no sentido contrário.

06FAQ

Bom saber

Perguntas, respondidas.

01O reconhecimento de voz funciona com sotaque forte?
Em geral sim. Os modelos atuais foram treinados com áudio muito variado e lidam com sotaques fortes em inglês muito melhor do que as ferramentas de que as pessoas se lembram de alguns anos atrás. A precisão varia de sotaque para sotaque, e nenhuma ferramenta honesta vai te dar um número para o seu. Teste com uma frase real do seu trabalho e você sabe em menos de um minuto.
02Ele me entende se eu misturar dois idiomas na mesma frase?
Depende inteiramente da ferramenta. Tudo o que fixa um idioma por ditado vai empurrar o outro para dentro dele. O Sonira não fixa nada e deixa cada parte no idioma em que foi falada. Para quem trabalha em inglês e vive em português, é essa a funcionalidade que decide se o ditado serve para o seu dia de verdade.
03Por que ele acerta tudo menos os nomes?
Porque reconhecer é prever. Palavras comuns são seguradas pelo contexto, e um nome que o modelo viu poucas vezes não tem esse apoio, então perde para a palavra comum que soa mais parecida. Corrigir os nomes no fim do ditado, e não no meio da frase, derruba o custo para alguns segundos.
04O ditado deixa o meu inglês pior do que digitar?
A transcrição crua deixa, porque imprime a sua hesitação. Todo mundo hesita mais numa segunda língua, então isso cai mais pesado em você do que em um nativo. Uma etapa de limpeza que tira o ruído e os começos falsos sem reescrever as suas palavras fecha essa distância, e é para isso que serve a segunda passagem do Sonira.
05Devo usar uma ferramenta que melhora o meu inglês enquanto transcreve?
Só se essa for uma decisão consciente. É um produto diferente de ditado e tem um custo: o texto deixa de refletir o seu nível, para você e para quem lê. A gente não faz isso por padrão, e acha que a escolha tem que ser sua e explícita.
06Funciona no meu idioma também, não só em inglês?
Sim. O Sonira não tem seleção de idioma, então qualquer idioma que o modelo saiba tratar funciona, e o português em particular é tratado como idioma de primeira classe, não como mais uma linha numa lista de cem. Se for o seu caso, tem um guia separado sobre português do Brasil e de Portugal.

Dite no inglês que você fala de verdade.

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Também dita em português? Leia o guia do idioma.

Nunca ditou? Comece pelo guia do Mac.

Vem do Wispr Flow? Leia a comparação honesta.

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